Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Ministra Que Se Envergonha do Amor

Com a devida vénia ao Meu Querido e Bom Amigo Dr. António Marinho e Pinto, transcrevo um artigo que ele publicou no "Jornal de Notícias", alusivo à (ainda) Ministra da Justiça, e, no qual, modestamente me revejo.

 

"Depois de andar a acusar-me de lhe dirigir ataques pessoais, a Sra. Ministra da Justiça veio agora responder à denúncia que eu fiz de ter usado o cargo para favorecer o cunhado, Dr. João Correia. Diz ela que não tem cunhado nenhum, e que isso até se pode demonstrar com uma certidão do registo civil. Já antes, com o mesmo fito, membros do seu gabinete haviam dito à imprensa que ela é divorciada.

 

Podia explicar as coisas recorrendo à explicita linguagem popular ou até à fria terminologia jurídica que têm termos bem rigorosos para caracterizar a situação. Vou fazê-lo, porém, com a linguagem própria dos meus princípios e convicções sem deslizar para os terrenos eticamente movediços em que a Sra. Ministra se refugia.

 

A base moral da família não está no casamento, seja enquanto sacramento ministrado por um sacerdote, seja enquanto contrato jurídico homologado por um funcionário público. A base moral da família está na força dos sentimentos que unem os seus membros. Está na intensidade dos sentimentos recíprocos que levam duas pessoas a darem as mãos para procurarem juntas a felicidade; que levam duas pessoas a estabelecerem entre si um pacto de vida comum, ou sejam uma comunhão de propósitos existênciais através da qual, juntos, se realizam como seres humanos. Através dessa comunhão elas buscam em conjunto a felicidade, partilhando os momentos mais marcantes das suas vidas, nomeadamente, as adversidades, as tristezas, as alegrias, os triunfos, os fracassos, os prazeres e, naturalmente, a sexualidade.

 

O casamento, quando existe, agrega isso tudo numa síntese institucional que, muitas vezes, já nada tem a ver com sentimentos, mas tão só com meras conveniências sociais, morais, económicas ou políticas. Por isso, para mim, cunhados são os irmãos das pessoas que, por força de afectos recíprocos, partilham entre si, de forma duradoura, dimensões relevantes das suas vidas.

 

É um gesto primário de oportunismo invocar a ausência do casamento para dissimular uma relação afectiva em que se partilham dimensões fundamentais da existência, unicamente porque não se tem coragem para assumir as consequências políticas de opções que permitiram que essa relação pessoal se misturasse com o exercício de funções de estado, chegando, inclusivamente, ao ponto de influenciar decisões de grande relevância política.

 

Tal como o crime de violência doméstica pode ocorrer entre não casados, também não é necessário o casamento para haver nepotismo. Basta utilizarmos os cargos públicos para favorecermos as pessoas com quem temos relações afectivas ou os seus familiares. Aliás, é, justamente aí que o nepotismo e o compadrio são mais perniciosos, quer porque são mais intensos os afectos que o podem propiciar (diminuindo as resistências morais do autor), quer porque pode ser mais facilmente dissimulado no que no casamento, por raramente essas relações são do conhecimento público.

 

Aqui chegado reitero todas as acusações de nepotismo e favorecimento de familiares que fiz à Sra. Ministra da Justiça. Mas acuso-a também de tentar esconder uma relação afectiva, unicamente porque não tem coragem de assumir as consequências políticas de decisões que favoreceram o seu cunhado, ou seja, o irmão dessa pessoa com quem ela estabeleceu essa relação. Acuso publicamente a Sra. Ministra de tentar tapar o sol com a peneira, procurando dissimular uma situação de nepotismo com a invocação de inexistência de casamento, ou seja, refugiando-se nos estereótipos de uma moralidade retrógada e decadente.

 

A Sra. Ministra da Justiça tem o dever republicano de explicar ao país porque é que nomeou o seu cunhado, Dr. João Correia, para tarefas no seu Ministério, bem como cerca de 15 pessoas mais, todas da confiança exclusiva dele, nomeadamente, amigos, antigos colaboradores e sócios da sua sociedade de advogados. Isso não é uma questão de vida pessoal da Sra. Ministra. É uma questão de estado.

 

Nota: Desorientada no labirinto das suas contradições, a Sra. Ministra da Justiça mandou o seu Chefe de Gabinete atacar-me publicamente, o que ele, obedientemente, logo fez, mas em termos, no mínimo, institucionalmente incorrectos. É óbvio que não respondo aos subalternos da Sra. Ministra, por muito que eles se ponham em bicos de pés."

 

Em sede de comentário, não posso deixar de realçar o trajecto político do Dr. João Correia, cunhado da Ministra da Justiça. Já passou pelo PCP, depois esteve no PS, e agora está na coligação PSD/CDS.

 

Estamos pois perante um autêntico malabarista político, situação que acontece frequentemente em Portugal. Será que o homem é um derivado da cortiça? É que ele está sempre à tona.

publicado por novadireita às 17:32
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14 comentários:
De novadireita a 2 de Dezembro de 2011 às 12:51
O seu comentário é tão reles e tão mediocre que não merece nehum comentário. Você deveria era estar bem num País que viva numa ditadura, pois aí praticam-se os valores abomináveis que você defende.

AMP nunca foi nem é do PS, nem defendeu o Camarada Socas. Por aí se vê a sua ignorância e o seu facciosismo.

Repito o que disse. A peixeira da (ainda) Ministra da Justiça arranjou um excelente moço de recados. Talvêz você seja mais um boy que o seu cunhado lhe impingiu ou impôs no MJ. Ao passo que eu orgulho-me de ser Advogado, faço parte dos órgãos da OA com elevada honra, e revejo-me nesta OA. Desde 2002, altura em que se dá a ruptura entre AMP e JMJ que luto por uma nova OA, sempre ao lado de AMP.

Só uma última pergunta. Para si os arguidos não têm direito a serem defendidos? Não devem ter garantias de defesa? Quais são os seus conhecimentos de Processo Penal, isto partindo do pressuposto que você é licenciado em Direito


De Rui Crull Tabosa a 2 de Dezembro de 2011 às 13:12
O que escreveu fala por si. Miserável. Só confirma porque razão a sua profissão - que deveria ser nobre - é todos os dias alvo do desprezo geral, bem expresso no dizer "linguajar de advogado".
O ódio que destila só confirma os interesses que o levam, como sequaz do marinho, a querer que o saque ao dinheiro dos contribuintes continue. Mas azar o seu e do fartar vilanagem que dominou o País estes anos.
E, apenas para abono da verdade, o que a si evidentemente não interessa:
"Marinho Pinto acusa PJ de fabricar caso Freeport". Chega-lhe ou quer mais?

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1182705

Não voltarei a responder às suas ordinarices por uma elementar questão de higiene.


De novadireita a 2 de Dezembro de 2011 às 14:22
Ao contrário de alguns, sempre pensei pela minha cabeça, e assim espero continuar, assim me dê Deus vida e saúde.

Nunca fui, não sou e jamais o serei, sequaz de ninguém, muito menos de AMP. O que não impede que defendamos valores, princípios e causas comuns, e que nos foram ensinados numa mesma casa por onde ambos, em épocas distintas, passamos - a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, verdadeira Escola de Vida.

Julgava que pior MJ que Celeste Cardona era impossível. Entre outros factores, também pelos desmandos que ela fez enquanto MJ, em 2003 saí do CDS. Mas afinnal há pior que Celeste Cardona. Chama-se Paula Teixeira da Cruz, da qual você não passa de um reles moço de recados.

Querer sacar dinheiro aos contribuintes? Vá pró raio que o parta, para não dizer outra coisa pior. O que quero é que o Estado Português, que diz ser pessoa de bem, pague a tempo e horas os honorários a todos aqueles e aquelas que defendem os direitos e interesses dos cidadãos economicamente carenciados, e que não podem pagar os honorários de um Advogado e/ou as custas de um processo judicial. Ou será que para si o apoio judiciário deveria ser prestado pro bono?

Você lança ataques abomináveis sobre a minha profissão. Como Advogado, lanço aqui um forte, veemente e profundo protesto sobre as aleivosias e as insídias que lança sobre a minha profissão (desconheço qual é a sua). Oxalá nunca venha a precisar de um Advogado, pois Advogado que se preze não patrocína pessoa que faz os mais miseráveis ataques sobre a minha profissão.

Quanto às minhas ordinarices, digo-lhe aqui frontalmente, e digo-lhe também frente a frente, cara à cara, olhos nos olhos. Quem escreve ordinarices é você, às quais eu deixarei de responder por uma questão de higiene cívica e sanidade mental - parece que é algo que você não tem.

Cresça e aparerça. E já agora deixe de ser ignorante. Coisa que o é


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