Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

A Greve à Democracia

António Marinho e Pinto, numa entrevista que deu à RTP N no passado sábado, apelou a uma abstenção geral dos portugueses nas próximas eleições legislativas, que terão lugar em 5 de Junho.

 

O argumento que António Marinho e Pinto defende para a abstenção geral dos portugueses é que o Governo que sair das próximas eleições terá pouca ou nenhuma margem para governar, visto que irá funcionar como mero executor das decisões que os estrangeiros já tomaram para o nosso País. E que, estando a classe política em profundo descrédito, a melhor maneira de se proceder à refundação da democracia (e da República), era que todos os portugueses se abstivessem nas próximas eleições legislativas.

 

Sou suspeito para falar de António Marinho e Pinto. Quer por ser seu amigo pessoal, quer por ser seu apoiante nesta cruzada em prol da Ordem dos Advogados, quer porque, mediante honroso convite do próprio, integro a Comissão Nacional de Estágio e Formação (CNEF) da Ordem dos Advogados, quer ainda porque, no ponto de vista político, eu e António Marinho e Pinto estamos nos antípodas políticos - ele é Republicano e de esquerda, e eu sou Monárquico e de direita. Além de que não é meu hábito comentar publicamente as intervenções públicas dos meus amigos.

 

Quer eu, quer António Marinho e Pinto, somos ambos democratas. Pese embora a democracia não seja o regime perfeito (esse regime não existe em parte nenhuma), mesmo assim é o único onde, em liberdade, podemos expor as nossas ideias, claro que com respeito pelos nossos adversários, sem sofrermos consequências adversas. Já Winston Churchil, que é uma das minhas referências políticas dizia que a democracia tinha a vantagem de os cidadãos poderem dizer mal dela. Algo que é impensável numa ditadura.

 

A democracia em Portugal, saída de uma Revolução atípica e sui generis como foi a ocorrida a 25 de Abril de 1974 encontra-se pelas ruas da amargura. A classe política não tem credibilidade nenhuma. Quem vai para a política vai mais para servir os seus interesses pessoais e os dos seus amigos do que servir o País. A prominscuidade entre o Estado e o partido que está no Governo é total, com o aparelho de Estado a ser totalmente controlado e minado pelos boys e pelas girls que são nomeados para vários cargos sem qualquer espécie de experiência para o exercício dos mesmos. A promiscuidade entre o mundo dos negócios e a classe política é total, já que muitos dos administradores de grandes empresas que têm negócios com o Estado foram ex-Ministros ou ex-Deputados, o que assegura a continuidade dos negócios dessas empresas com o Estado.

 

Comparando-se a actual classe política com a classe política do tempo da I República, que levou Portugal para uma profunda crise económica, política, moral, de valores e de princípios, as diferenças são poucas ou nenhumas. Foi precisamente a implantação da República que levou ao descrédito da democracia. Pelo que votar nas próximas eleições legislativas em nada irá contribuir para se iniciar o processo de mudança de que o País tanto precisa.

 

Concordo plenamente que a democracia em Portugal necessita urgentemente de ser refundada, sob pena de cairmos numa ditadura, ou então Portugal mais não seja do que um mero protectorado de Países estrangeiros. O que implica necessariamente a substituição da República por uma Monarquia Constitucional, à imagem e semelhança dos Países mais evoluidos e civilizados da Europa, que têm Monarquias Constitucionais como formas de Governo.

 

Ora uma das melhores maneiras para se proceder à refundação da democracia é precisamente a abstenção generalizada de todos os portugueses nas próximas eleições legislativas de 5 de Junho. A abstenção ao próximo acto eleitoral é a melhor maneira que os portugueses têm para dizer aos políticos deste País que eles estão gastos, caducos e desacreditados. Que os portugueses já não confiam neles, e que está na altura de os actuais políticos se irem embora, pois foram eles e a República que colocaram Portugal no estado em que se encontra.

 

A greve à democracia no próximo dia 5 de Junho, com uma abstenção de todos nas próximas eleições é a única saída que resta a Portugal para refundar a democracia. Adiro pois ao repto lançado por António Marinho e Pinto, e igualmente convido todos os portugueses de bem a absterem-se nas próximas eleições legislativas de 5 de Junho. Aliás, desde as últimas eleições europeias de 2009, que, com excepção das eleições autárquicas desse mesmo ano, que me tenho vindo a abster em actos eleitorais.  E assim espero continuar.

publicado por novadireita às 10:53
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