Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Paulo Portas Com Fome de Poder

O Congresso do CDS, realizado no passado fim-de-semana em Viseu, veio demonstrar aquilo que já não é novidade para ninguém. Que Paulo Portas (e o CDS), querem rapidamente regressar ao poder, provocando, se fôr caso disso, uma crise política, e que estão dispostos a usar de todos os meios que estiverem ao seu alcance para conseguir tal desiderato.

 

Comecemos por Paulo Portas. Esse indivíduo usou de todos os meios possíveis e imagináveis para afastar Manuel Monteiro, de quem chegou a ser amigo pessoa, da liderança do então PP. Para tal, fez uso de golpes baixos, contando com a prestimosa ajuda da comunicação social, meio do qual Paulo Portas era oriundo.

 

Depois, Paulo Portas fez uma AD com o PSD liderado por Marcelo Rebelo de Sousa, AD essa que se desfez como um autêntico castelo de cartas, por motivos nunca devidamente explicados, mas onde estão incluídos episódios de alcofa, segundo algumas notícias. Marcelo Rebelo de Sousa saiu da liderança do PSD, tendo-lhe sucedido na dita José Manuel Durão Barroso, a quem a sua mulher um certo dia o chamou de cherne.

 

O cherne ascendeu à liderança do PSD, e, na sequência da demissão de António Guterres do cargo de Primeiro-Ministro, demissão essa feita para que o País não ficasse mergulhado num pântano, segundo palavras do próprio, o PSD, liderado precisamente pelo cherne, venceu umas eleições legislativas antecipadas, para as quais partira com intenções de voto onde as vencia com maioria absoluta, vencendo-as todavia com maioria relativa, a escassos 3 pontos percentuais de distância do PS, fruto de uma campanha que foi desastrosa quer para o PSD, quer para Durão Barroso (ou para o cherne, caso assim prefiram denominar esse maoista arrependido com vícios burgueses). Mais 2 ou 3 semanas de campanha, e o PS, cuja governação estava desgastada, e que escolhera Ferro Rodrigues para líder ad hoc para uma derrota anunciada, o PS venceria essas mesmas eleições.

 

O PSD, para conseguir formar Governo, teve que fazer uma coligação pós-eleitoral com o CDS de Paulo Portas. Durão Barroso, que fora um dos principais opositores à AD de Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Portas, teve que dar a mão para ir para o Governo a quem antes recusara dar um braço. A política tem destas coisas.

 

A passagem do CDS pelos Governos de coligação com o PSD, quer liderados por José Manuel Durão Barroso, quer por Pedro Santana Lopes, depois da fuga daquele para Bruxelas, foi um autêntico desastre.

 

Com efeito, em ambos os Governos de coligação com o PSD, Paulo Portas foi Ministro de Estado e da Defesa. A sua passagem pela pasta da Defesa ficou associada à compra de submarinos para a Marinha Portuguesa, num negócio de legalidade duvidosa e com contornos obscuros, onde alguns dos envolvidos se encontram a braços com processos judiciais. Portas nunca foi implicado nos negócios para a compra dos submarinos, mas tem esse estigma sobre a sua cabeça.

 

No Governo PSD/CDS liderado por José Manuel Durão Barroso a pasta da Justiça foi atribuida ao CDS, que indicou para a mesma Celeste Cardona. Ora Celeste Cardona foi a pior Ministra da Justiça que Portugal conheceu. A ela se deve a instauração deste regime de custas perfeitamente usurário, em que a Justiça se transformou num autêntico bem de luxo, que o Estado vende a preços sumptuosos, só sendo a mesma acessível aos multimilionários, ou aos indigentes e vagabundos que vivem debaixo da ponte, e que, por tal facto, beneficiam do apoio judiciário. Com Celeste Cardona também se verificou essa verdadeira aberração, que foi a Reforma da Acção Executiva, na qual o Estado transferiu para privados a execução das sentenças que o Estado profere nos Tribunais. Além de que com Celeste Cardona iniciou-se outra aberração que é a desjudicialização da Justiça, passando a Justiça a ser administrada em repartições públicas e administrativas, bem como por privados. Tudo em nome de um puro engajamento a interesses corporativos e sindicais de Juízes que não querem ter trabalho. "Descongestionar os Tribunais" foi a palavra de ordem para justificar as aberrantes políticas de Justiça efectuadas por Celeste Cardona.

 

Também no Governo PSD/CDS, desta vez liderado por Pedro Santana Lopes, a pasta das Finanças foi atribuida ao CDS, que indicou para a mesma Bagão Félix. A ele se devem quer os congelamentos de pensões, quer o aumento da carga fiscal, através das mexidas das taxas de IRS. Medidas essas que o CDS tanto critica no actual Governo.

 

A tudo isto acresceu uma nomeação desenfreada de boys e de girls do aparelho do CDS, muitos deles oriundos da Juventude Popular, para os cargos de chefia do aparelho de Estado, sendo que muitos desses boys e dessas girls não tinham nenhuma experiência profissional que justificasse nomeações para cargos de elevada responsabilidade.

 

O CDS, juntamente com o PSD, perdeu as eleições legislativas de 2005, que permitiram que o PS, liderado por esse pantomineiro compulsivo que é José Sócrates, as vencesse com maioria absoluta. Na sequência das eleições legislativas de 2005, Paulo Portas abandonou a liderança do CDS, tendo-lhe sucedido José Ribeiro e Castro.

 

Só que Paulo Portas nunca sentiu particulares simpatias por José Ribeiro e Castro, vá-se lá saber porquê, não tendo visto com bons olhos que este lhe sucedesse na liderança do partido. Contando com a prestimosa ajuda de alguns Presidentes das principais Distritais, que se portaram como autênticos cães de fila do antigo líder, bem como com a prestimosa ajuda de um Grupo Parlamentar que lhe era fiel, e a quem alguém apelidou como de "banda de música", Paulo Portas tudo fez para desgastar a liderança de José Ribeiro e Castro, tendo-o apeado dos comandos do CDS na primeira oportunidade.

 

Depois, bafejado pela sorte, Paulo Portas e o CDS sobrevivem a umas eleições europeias disputadas em 2009 e em que muitos anunciavam como sendo o fim do CDS, ganhando um balão de oxigénio para disputar as eleições legislativas daí a escassos meses. Eleições legislativas das quais Paulo Portas e o CDS foram claros vencedores, muito por causa da fraca liderança do PSD, presidido por Manuela Ferreira Leite, a quem a campanha eleitoral correu de forma desastrosa.

 

José Sócrates e o PS venceram as eleições legislativas de 2009, tendo todavia o PS perdido a maioria absoluta. Desde que José Sócrates tomou posse como Primeiro Ministro, após as legislativas de 2009, que sempre se tem falado em cenários de crise política e em eleições legislativas antecipadas. E, fruto da desastrosa governação de José Sócrates, aliada a várias convulsões internas a que se têm vivido no PSD, com este partido a funcionar como muleta do Governo em alguns momentos-chave do País, como com a aprovação dos PECS I, II e III, e do Orçamento de Estado para este ano, Paulo Portas e o CDS têm tirado dividendos desse efeito.

 

E tanto o têm, é que Paulo Portas tem insistido numa coligação pré-eleitoral com o PSD, numa altura em que a corelação de forças entre os dois partiros assenta numa proporção de 3 para 1. Seria muito mais vantagoso para Paulo Portas fazer uma coligação pré eleitoral com Pedro Passos Coelho, onde o CDS poderia manter os 21 Deputados que actualmente detém, do que fazer depois das eleições legislativas, onde não é líquido que o CDS mantenha esses 21 Deputados. Sobretudo quando há uma tendência do eleitorado do CDS em votar útil no PSD, se estiver em perigo uma vitória da esquerda, ou a conquista do poder por parte do PSD.

 

Como o PSD não parece muito disposto a fazer uma coligação pré-eleitoral com o CDS, então Paulo Portas tem "malhado" no PSD, associando-o à governação de José Sócrates. Tudo por causa do facto de o PSD ter funcionado como muleta do PS.

 

Pese embora o CDS e Paulo Portas critiquem o sistema político, as clientelas do aparelho de Estado, e as nomeações de boys e de girls para cargos de chefia e de nomeação política, Paulo Portas e o CDS fazem parte do sistema. Têm clientelas políticas das quais dependem. Têm boys e girls que, à excepção da política, nunca fizeram nada da vida, nem singraram no mercado de trabalho, boys e girls esses que precisam de um emprego como de pão para a boca. Daí que umas eleições legislativas, ainda para mais antecipadas e onde se perspectiva um regresso do CDS ao poder, se bem que em coligação com o PSD, venham mesmo a calhar, que é para garantir empregos a essa corja de parasitas que nunca fizeram outra coisa na vida que não política, e que precisam da política, quer do aparelho de Estado para viverem. A fome de poder que se vive na sede do CDS a isso obriga.

 

Todavia, é preciso não esquecer que as últimas passagens do CDS pelo Governo, CDS esse liderado por Paulo Portas, foram perfeitamente calamitosas. Sobretudo na Justiça, em que Celeste Cardona foi a pior Ministra da Justiça de que há memória. Pelo que é de pensar duas ou mais vezes se vale a pena votar no CDS. Para mim não vale a pena.

publicado por novadireita às 15:18
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