Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Uma Derrota de Lisboa

Já aqui escrevi, por mais de uma vez, que Portugal vive num centralismo asfixiante centrado à volta de Lisboa. Tudo se passa em Lisboa, tudo gravita à volta de Lisboa, quase todas as obras e todos os investimentos são feitos em Lisboa, enquanto que o resto do País é votado ao ostracismo e ao esquecimento.

 

Para além disso, há uma mentalidade generalizada nos vários sectores (político, económico, social e cultural) em que Portugal é Lisboa e o resto do País é paisagem. Os bastardos de Lisboa (e chamo-os de bastardos, que é para não ter que ofender as respectivas mães) julgam-se superiores em tudo, dizendo as piores coisas possíveis e inimagináveis sobre os restantes portugueses, que vulgarmente são apelidados de bimbos, parolos e pacóvios.

 

A isto acresce uma máfia instalada em Lisboa que tudo faz para destruir todos aqueles que, legitimamente ousam enfrentar o poder centralista, fazendo verdadeiros assassinatos de carácter àqueles que anseiam por mudanças, pondo em causa o poder das (pseudo) élites da capital, e que, sem papas na lingua, dizem que em Lisboa existe uma máfia instalada, que olha para o seu umbigo, que é uma estrutura fechada, e que destroi sem dó nem piedade todos aqueles que assumem algum protagonismo contra Lisboa.

 

Na política, essa realidade é visível a olho nu. Veja-se o que é que as (pseudo) elites de Lisboa fizeram a Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto, Fernando Gomes, Luís Filipe Menezes, Manuel Monteiro, entre outros. Políticos de vários partidos, corajosos, que se insurgiram contra o centralismo de Lisboa, e que, quando por causa de funções políticas e/ou governativas que tiveram que efectuar em Lisboa, foram queimados nas fogueiras da Inquisição que a máfia de Lisboa lhes ateou.

 

Com a vitória de António Marinho e Pinto para Bastonário da Ordem dos Advogados passou-se uma situação algo semelhante. António Marinho e Pinto é um homem de famílias humildes, que veio para Coimbra estudar e por Coimbra ficou a trabalhar. Candidatou-se pela primeira vez em 2004 a Bastonário da Ordem dos Advogados, tendo perdido porque em Lisboa houve uma forte união em torno de Rogério Alves, impedindo assim a vitória de António Marinho e Pinto. Como Rogério Alves fez um mandato desastroso e a Justiça em Portugal descambou para patamares de descredibilização jamais vistos, nas eleições de 2007 António Marinho e Pinto recandidatou-se, vencendo-as folgadamente.

 

Aí é que os vários aparelhos de Lisboase passaram. Ainda os votos estavam a ser contados, e já dois antigos Bastonários estavam a dar entrevistas a insurgirem-se contra o candidato que veio a ser eleito. De seguida, o mandato de António Marinho e Pinto enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados foi marcado por uma campanha de tentativa de assassinato de carácter do Bastonário legitima e democraticamente eleito, fazendo de tudo para o humilhar e o descredebilizar, tentanto até convocar Assembleias Gerais com vista à destituição do Bastonário. Tal campanha foi feita a partir de Lisboa.

 

Só que António Marinho e Pinto, que é um osso duro de roer, resistiu a todas as ignomínias e a todos os ataques e a corja lisboete lhe fez. Recandidatou-se a um novo mandato, e venceu as eleições por uma grande margem, ficando a 20 votos de obter a maioria absoluta. Foi a maior bofetada que Lisboa alguma vez levou na vida, bofetada essa inteiramente merecida. Agora há que como é que Lisboa se vai portar. Se, de uma vez por todas, aceita os resultados eleitorais, ou se vai continuar com a campanha de ataque pessoal ao Bastonário da Ordem dos Advogados.

 

Portugal não é só Lisboa, e há que acabar de uma vez por todas com este centralismo asfixiante que se vive em Portugal. É preciso que apareçam muitos mais Marinhos e Pintos para acabar com o centralismo vigente em que vivemos.

publicado por novadireita às 20:22
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