Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

4 de Dezembro de 1980 / 4 de Dezembro de 2010 - 30 Anos de Vergonha

No passado sábado passaram 30 anos em que Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, Primeiro-Ministro de Portugal e Ministro da Defesa Nacional, foram cobardemente assassinados quando se deslocavam para o Porto, a fim de participarem no comício de encerramento da campanha eleitoral do General Soares Carneiro, que era o candidato que PSD e CDS apoiavam para a Presidência da República.

 

Foi uma notícia brutal, que deixou o País em profundo estado de choque. O Primeiro Ministro de Portugal e o Ministro da Defesa Nacional acabavam de perder a vida em circunstâncias trágicas. Foi como que o desabar de um cataclismo sobre as nossas cabeças. Foi horrível demais para ser verdade. Porém, era verdade.

 

Desde logo todos os indícios apontavam para que o avião que transportava ao Porto Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, Adelino Amaro da Costa, Manuela Vaz Pires, António Patrício Gouveia e respectiva tripulação tivesse sido objecto de acção criminosa. Tanto mais que, de acordo com depoimentos de testemunhas oculares, entre os quais o Chefe da Segurança do Primeiro Ministro, o avião explodiu no ar antes de embater contra as casas do bairro de Camarate.

 

Ora ensinam as leis da ciência, sobretudo as da Física e da Química, que um avião não explode no ar aquando da descolagem. A menos que exista algo que faça includir essa explosão, como a detonação de um engenho explosivo.

 

Foi isso mesmo que aconteceu, conforme se pôde constatar pelo excesso de estilhaços visíveis nas radiografias tiradas aos pés do piloto Jorge de Albuquerque, bem como para a existência de vestígios de lã de vidro e de nitroglicerina nas roupas das vítimas. Porém, convinha abafar a todo o custo a existência de mão criminosa no desastre aéreo que vitimou Francisco Sá Carneiro.

 

É que é preciso ter presente que na altura em que Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram, Portugal vivia um período de ressaca do PREC, gozando ainda os militares de um poder invejável, com a existência do Conselho da Revolução, militares e Conselho da Revolução esses que estavam com Ramalho Eanes, sendo que Francisco Sá Carneiro pretendia por cobro à hegemonia dos militares na vida política do País, o que implicava a extinção do Conselho da Revolução. Donde, para certos sectores, Francisco Sá Carneiro era um alvo a abater.

 

Acresce que na altura em que Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram, havia um negócio de venda ilegal de armas ao Irão. Negócio esse no qual estavam envolvidos alguns militares próximos de Ramalho Eanes e do Conselho da Revolução que usavam o Fundo de Garantia do Ultramar no negócio de venda de armas ao Irão. Fundo esse que estava inactivo desde a entrega das Províncias Ultramarinas portuguesas aos movimentos pró soviéticos, e que começou a registar movimentos anómalos em 1980.

 

Ora Adelino Amaro da Costa andava precisamente a investigar o envolvimento de alguns militares no negócio de venda de armas ao Irão. Sendo que alguns desses militares eram próximos de Ramalho Eanes e do Conselho da Revolução. E, fruto dessas investigações, Adelino Amaro da Costa terá recebido ameaças de morte, o que o levou a pedir uma arma de defesa para seu uso pessoal. Além de que Adelino Amaro da Costa deslocava-se frequentemente no avião onde veio a perder a vida. Donde, esse avião seria um alvo apetecível para atentar contra a vida de Adelino Amaro da Costa.

 

Logo nas investigações iniciais efectuadas pela Polícia Judiciária, os indícios apontavam para a existência de atentado. Porém, não convinha ao poder político que Camarate fosse um atentado, tentando vender a todo o custo a mui discutível tese de que Camarate foi um acidente, atribuindo-se as culpas do mesmo ao piloto do avião. E houve também a complacência do poder judicial da altura que, engajado ao poder político, corroborou até à exaustão a tese de acidente. Foi preciso o Tribunal da Relação de Lisboa ter delcarado a prescrição do procedimento criminal na sequência de uma acusação particular dirigida pelos familiares das vítimas para que José Esteves, um conhecido bombista da década de 70, ter declarado que foi ele quem fabricou a bomba que foi colocada no avião que transportou Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa ao Porto na noite de 4 de Dezembro de 1980.

 

Camarate é pois a verdadeira vergonha do regime. Foi a primeira nódoa no sistema de Justiça português após a funesta Revolução de 25 de Abril de 1974, e que contribuiu para o descredibilizar. Porém a verdade não pode prescrever. Os Portugueses têm o direito de saber as causas em que Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram (foram cobardemente assassinados) há 30 anos atrás.

publicado por novadireita às 15:53
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