Sábado, 25 de Setembro de 2010

País à Deriva

Todas as notícias trazidas pelos órgãos de comunicação social dizem que a economia portuguesa tem imensas dificuldades em obter financiamento externo, que a dívida de Portugal é a que apresenta taxas de juro mais altas, que mais garantias dá de incumprimento dos compromissos assumidos no exterior, que se torna inevitável a intervenção do FMI em Portugal, etc., etc.

 

Entretanto o Governo fala em adoptar mais medidas de austeridade, que passam, entre outras, por um novo aumento de impostos, passando a taxa máxima do IVA de 21% para 23%. O PSD diz que não viabiliza o Orçamento de Estado para 2011 se este contemplar um novo aumento de impostos, quer directo, quer indirecto, por via do corte das deduções fiscais. E o PS diz que se demite se o Orçamento de Estado não passar no Parlamento. Avizinha-se pois mais uma crise política.

 

O País está à deriva. Há muito que o estava (desde a implantação da República, cujo centenário a corja política que nos dirige se prepara para comemorar). Só que agora os sinais dessa deriva acentuam-se ainda mais.

 

Diz a Constituição que a soberania reside no povo, que a exerce nos termos previstos na Lei Fundamental, delegando o exercício da mesma nos órgãos de poder político. Pois bem, atendendo à gravidade do estado em que o País se encontra, é a altura de o povo avocar a si a soberania que delegou no poder político, e tomar as medidas tidas por convenientes para pôr termo ao descalabre em que o País se encontra. Antes que seja tarde.

publicado por novadireita às 11:54
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Aumento da Dívida Pública Portuguesa

Ouvi na TSF esta manhã, quando me deslocava de Coimbra para Santa Comba Dão, uma notícia segundo a qual a dívida pública portuguesa aumentava a um ritmo de €: 2,5 milhões por hora.

 

Confesso que fiquei arrepiado ao ouvir tão alarmante e preocupante realidade. É sem dúvida uma situação gravíssima e geradora de preocupações para todos nós. Portugal está à beira da bancarrota, se é que já lá não está, e não se vê qualquer possibilidade de a situação melhorar.

 

Significa isto que o Governo vai ter que tomar mais medidas de austerirade, e que os PECS I e II só por si não são suficientes para equilibrar as contas públicas, sendo necessários os PECS III e IV, conforme há muito defendem alguns conceituados e reputados economistas. Porém tais PECS III e IV terão que assentar numa redução significativa da despesa do Estado, e não em mais aumentos de impostos. Os cidadãos e as empresas já pagam uma carga fiscal elevadíssima, e se lhes aumentam ainda mais os impostos, quer pela via directa, quer pela via indirecta, através da redução das deduções fiscais em sede de IRS e de IRC, vão ter graves dificuldades em sobreviver.

 

É altura de o Governo ter coragem de reduzir a despesa dessa sanguessuga que é o aparelho de Estado. Aparelho esse cheio de vícios dos quais o Estado, tal como um toxicodependente que não se consegue libertar do vício da droga, não se consegue libertar.

publicado por novadireita às 10:37
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Ataques a António Marinho e Pinto no "Sol"

Como ponto prévio, e ao contrário da posição do meu Bastonário, António Marinho e Pinto, cuja recandidatura apoio, não considero o "Sol" um tabloide sensacionalista que procura fazer chicana política. Considero o "Sol" como um jornal de referência que contribui significativamente para a formação da opinião e para informar os Portugueses dos principais temas da actualidade.

 

Aliás, foi devido ao "Sol" que se ficaram a conhecer processos e negócios obscuros nos quais estão envolvidos pessoas próximas do Primeiro-Ministro, como o Freeport, o Face Oculta, a compra da TVI pela PT, com interferência directa do Primeiro-Ministro, etc., etc. E a divulgação dessas notícias não constitui, a meu modesto olhar, chicana política, pois os Portugueses têm o direito de saber se o Primeiro-Ministro e/ou as pessoas que lhe estão próximas são pessoas honestas ou não, pois é inadmissível num Estado de Direito democrático que um qualquer governante se sirva das suas funções para satisfação dos seus interesses pessoais e/ou do seu círculo de amigos mais próximos.

 

Todos sabemos o lodaçal em que assenta a política portuguesa. E que é graças a uma imprensa livre que muitos dos escândalos que envolvem os nossos principais governantes têm vindo a lume. Foi assim com "O Independente", e é assim quer com o "Sol", quer com o "Expresso".

 

Na edição do "Sol" do passado dia 10 do corrente mês, o seu Director, José António Saraiva, e o seu Director-Adjunto, José António Lima, escreveram comentários sobre a postura de António Marinho e Pinto no programa "Prós e Contras" que o Canal 1 da RTP transmitiu no passado dia 6, e onde se comentou a sentença do Processo Casa Pia.

 

Referindo-se a António Marinho e Pinto, escreve José António Saraiva o seguinte: "O momento mais interessante do debate foi quando Fátima Campos Ferreira, depois de Marinho e Pinto acabar a sua intervenção - onde tinha falado, entre outras coisas, do exagero das penas -, lhe perguntou de chofre:

 

-E as vítimas?

 

-As vítimas o quê? - surpreendeu-se Marinho.

 

-Não que dizer nada sobre as vítimas?

 

Marinho Pinto gaguejou, balbuciou umas palavras andóninas - e acabou por voltar à defesa dos arguidos, dizendo que a sentença não tem que ver com as vítimas. Para ele, as vítimas ali não tinham qualquer importância. Percebeu-se, naquele debate, o que importava para Marinho era defender Carlos Cruz, Jorge Ritto e os demais condenados, sendo para ele totalmente irrelevante o facto de haver ou não haver vítimas, e o que foi feito delas."

 

Ainda sobre o Bastonário da Ordem dos Advogados, José António Lima escreve o seguinte: "(...) o bastonário da Ordem dos Advogados aproveitou a sentença do processo Casa Pia para prosseguir a sua cruzada pessoal contra o poder judicial e, em particular, contra as magistraturas. Acusa e denigre tudo e todos com uma ligeireza de pasmar. E despeja declarações incendiárias com a regularidade de um pirómano compulsivo. Tão preocupado com os seus ódios de estimação e cada vez mais encostado ao poder político em funções, quase se esqueceu das vítimas da Casa Pia. Pois é: houve vítimas, jovens abusados e violentados anos a fio. É bom não esquecer".

 

Não constitui novidade nenhuma para ninguém que quer José António Saraiva, quer José António Lima, sobretudo este último, não nutrem qualquer espécie de simpatia por António Marinho e Pinto. São livres de assim pensarem. O que José António Saraiva e José António Lima não podem é deturpar aquilo que António Marinho e Pinto disse no programa Prós e Contras do pasado dia 6 deste mês.

 

Com efeito, quem viu esse programa atentamente, como foi o meu caso, ouviu da boca de António Marinho e Pinto que este não tem dúvidas que desde há decadas que existem abusos sexuais na Casa Pia, e que no recente processo judicial também houve vítimas. Resta saber se os arguidos praticaram ou não os crimes pelos quais foram condenados em sede de primeira instância, uma vez que todos eles clamam inocência e anunciaram intenção de recorrer do acórdão condenatório. A isso o obriga o princípio in dubio pró réu, segundo o qual todo o arguido se presume inocente até trânsito em julgado da sentença. Sobre Carlos Silvino, António Marinho e Pinto disse que a pena de 18 anos de prisão que lhe foi aplicada afigura-se exagerada, atendendo a que, de acordo com o veículado pela comunicação social, Carlos Silvino mostrou arrependimento, confessou os crimes, implicou os outros arguidos, o que levaria a que o Tribunal lhe atenuase a pena, e não foi isso que aconteceu. Referindo-se a Carlos Cruz, que clamou inocência, António Marinho e Pinto disse que se o apresentador de televisão estava de facto inocente, conforme alegava, a sua reacção era muito branda, pois, caso contrário, estava a fazer um grande número de teatro.

 

Pergunto pois: Isto é fazer a acérrima defesa dos argidos e ignorar completamente as vítimas? Quer-me fazer crer que não. Além de que há uma circunstância que ninguém pode ignorar: É que o julgamento do Processo Casa Pia foi fortemente mediatizado, tendo sido feito um julgamento paralelo na opinião pública, julgamento paralelo esse que certamente que influencia o julgamento judicial. E não é so com o julgamento do Processo Casa Pia que tal acontece. É com todo e qualquer julgamento mediático.

 

Com isto recomendo quer a José António Saraiva, quer a José António Lima, cujas análises políticas admiro e em algumas delas concordo com o que dizem, pese embora sejam de uma área política diferente da minha (são conhecidas as simpatias de José António Saraiva e José António Lima pelo PSD, ao passo que eu sou da direita conservadora/liberal e soberanista em relação á União Europeia), que, quando escreverem algum comentário sobre afirmações de António Marinho e Pinto, oiçam atentamente o que ele diz, para não voltarem a escreverem infelizes artigos como os que escreveram no "Sol" do passado dia 10 deste mês.

 

Este tipo de artigos nada dignifica um jornal que admiro profundamente, e do qual sou um acérrimo leitor.

publicado por novadireita às 18:08
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Revisão Constitucional do PSD

A abertura do novo ano parlamentar fica marcada pela apresentação do projecto de revisão constitucional do PSD, que tantos rios de tinta fez correr, e que deu origem a um "acalorado" debate entre PS e PSD.

 

O projecto de revisão constitucional do PSD mais não é do que mais um fait divers da política portuguesa. Com efeito, o PSD sabe muito bem que para que a Constituição seja alterada tal implica a existência de uma maioria de 2/3 de votos. E para tanto são necessários os votos do PS e do PSD.

 

Provavelmente vão haver negociações entre PS e PSD com vista a alterar a Lei Fundamental. Só que tais "negociações" mais não servem do que para desviar as atenções dos Portugueses do combate à grave crise económica com que Portugal se depara, e que nem PS, nem PSD nem CDS se mostram capazes de conseguir combater. E a revisão constitucional proposta pelo PSD é um meio para conseguir tal desiderato.

 

PS, PSD e, a espaços, CDS, são os principais responsáveis pelo descalabre político, económico e financeiro em que o País se encontra mergulhado. Ao qual não é alheio o PCP, pois o PREC, onde o PCP teve um papel predominante, também contribuiu, e em grande, para os problemas políticos, económicos e financeiros com que o País se depara. Daí que a revisão constitucional apresentada pelo PSD venha a servir de pretexto para esre partido, em conjunto com o PS, venham a negociar um PEC III ou um PEC IV, com vista a aumentar ainda mais os impostos e prejudicar quem produz riqueza neste País, de forma a alimentar esse grande procheneta que é o aparelho de Estado.

 

Além de que a proposta de revisão constitucional levada a cabo pelo PSD mais não é do que uma proposta pífia, uma vez que a mesma em nada altera o sistema político vigente, que há muito que se encontra caduco e obsoleto.

 

Se o PSD, ou qualquer outro partido político, quiser apresentar uma proposta de revisão constitucional, então que apresente uma proposta de revisão da Lei Fundamental a sério, e que preveja a revogação, de uma vez por todas, da aberrante e anti-democrática alínea b) do art. 288º, que diz que a forma republicana de governo é irrreversível, para que de hoje para amanhã, se os Portugueses assim o entenderem, possam vir a escolher se querem viver numa Monarquia ou numa República.

 

É que é preciso não esquecer que Paulo Teixeira Pinto, coordenador do grupo de trabalho do PSD que apresentou o projecto de revisão constitucional deste partido, é Monárquico, e é Presidente da Causa Real. E a proposta de revisão constitucional que o seu partido apresentou não contempla a eliminação do art. 288º al. b) da Lei Fundamental.

publicado por novadireita às 14:38
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Pífio Começo da Selecção Nacional

Começou de forma desastrosa a campanha da Selecção Nacional com vista à qualificação para o Campeonato da Europa de Futebol, que se disputa em 2012 na Polónia e na Ucrânia.

 

O Grupo onde Portugal está inserido até é acessível, pois os adversários (Dinamarca, Noruega, Islândia e Chipre) não são colossos do futebol europeu. Porém, a campanha começou mal, com um empate em casa a 4 golos com o Chipre, e uma derrota na Noruega por 1-0, Selecções com as quais Portugal nunca perdeu pontos.

 

Perante este cenário, a qualificação para o Europeu está seriamente em risco, e há já quem tenha puxado pela máquina de calcular para fazer contas. Não há memória de Portugal ter começado tão mal uma campanha com vista à qualificação de um Campeonato da Europa ou do Mundo de Futebol.

 

Para esta situação, há que ter em conta o cenário bizarro e surrealista que se vive em torno da Federação Portuguesa de Futebol. Depois de uma frustrante presença no último Mundial disputado na África do Sul, o Selecionador Nacional, em vez de ter posto o lugar à disposição, decidiu ficar, contando com o apoio de Gilberto Madail, não obstante haverem vozes críticas no interior da Federação que defendiam a saída de Carlos Queirós.

 

Seguiram-se os processos disciplinares movidos a Carlos Queirós. Primeiro o processo relativo a palavras injuriosas dirigidas a médicos da ADOP que se deslocaram à Covilhã onde a Selecção se encontrava a estagiar. A Comissão de Disciplina da Federação decide aplicar uma pena de suspensão de um mês a Carlos Queirós, multando-o em €: 1.000,00. Só que a ADOP, quiçá por pressões polítics, decide avocar a si o processo, e aplica a carlos Queirós uma suspensão de 6 meses. Depois é o processo disciplinar movido pela própria Federação, na sequência de uma entrevista que Carlos Queirós dá ao Expresso, onde diz que o Vice-Presidente Amândio de Carvalho é a cabeça do polvo que quer afastá-lo do comando da Selecção, não tendo ainda sido proferida decisão final.

 

Mesmo assim, Carlos Queirós continua a ser o Selecionador Nacional, sendo substituído pelo seu adjunto Agostinho Oliveira enquanto dura a suspensão.

 

Claro que todo este cenário tem influência na Selecção Nacional. As exibições frente ao Chipre e à Noruega foram paupérrimas, o guarda-redes Eduardo, que foi uma das revelações do último Mundial teve graves culpas em alguns dos golos sofridos pela equipa nestas últimas partidas, a equipa jogava de forma apática e alguns jogadores no final da partida frente à Noruega disseram de viva voz que desejavam que esta situação que se vive em torno da Selecção acabasse o mais depressa possível.

 

É pois desejável que esta situação que se vive em torno da Selecção acabe o mais depressa possível, de forma a credibilizar o futebol português, de modo a impedir que o poder caia na rua, se é que ainda não caiu. Bem como de modo a que o apuramento para u Campeonato da Europa de 2012 ainda seja possível.

 

Para tanto, é preciso que se tomem medidas fortes e enérgicas. Que obviamente passam pela saída de Carlos Queirós do cargo de Selecionador Nacional e de Gilberto Madail do cargo de Presidente da Federação Portuguesa de Futebol. A bem do futebol português, pois a ausência de Portugal no Europeu da Polónia e da Ucrânia seria frustrante.

publicado por novadireita às 10:59
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

Mais uma Perda de Soberania

A Comissão da União Europeia, presidida por José Manuel Durão Barroso decidiu que todos os Países pertencentes à zona Euro têm que submeter à prévia apreciação da UE os Orçamentos de Estado, antes de os mesmos serem aprovados nos respectivos Parlamentos nacionais, valendo esta regra já para o Orçamento de Estado para 2011.

 

Esta aberrante e bizarra decisão comunitária constitui mais uma perda de soberania de Portugal junto da UE, bem como mais não é do que um passo de gigante rumo ao federalismo europeu do agrado de PS, PSD e CDS, sendo que quanto a este último, tal deriva federalista iniciou-se com a chegada à liderança do inenarrável Paulo Portas, que teve que renegar tudo aquilo que relativamente à UE defendia enquanto Director de "O Independente".

 

Até quando é que vamos assistir ao definhar de Portugal?

publicado por novadireita às 10:49
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Solidariedade Para Com Ricardo Sá Fernandes

Atendendo a que se tratava de uma sentença com perto de duas mil páginas, a leitura da sentença do Processo Casa Pia, que teve lugar na passada sexta-feira, dia 3 deste mês foi feita através de uma súmula, já que a leitura integral do acórdão implicaria um grande esforço humano a ser empreendido pela Juíza Presidente, e nada garantiria que o mesmo fosse lido na totalidade na passada sexta-feira.

 

Até aí tudo bem. A lei processual penal prevê que em casos de sentenças ou acórdãos muito extensos, os mesmos possam ser lidos através de uma súmula. E em caso de estarmos perante uma sentença ou um acórdão condenatório, é obrigatório ler-se a respectiva fundamentação, ainda que através de uma súmula, de modo a que os arguidos possam ficar a saber os motivos pelos quais o tribunal os condenou. E a leitura da fundamentação, mesmo que através de uma súmula, é obrigatória, sob pena de nulidade da sentença ou do acórdão.

 

Só que a Juíza Presidente, aquando da leitura do acórdão que condenou 6 dos 7 arguidos do Processo Casa Pia a penas efectivas de prisão, omitiu, ainda que por súmula, a leitura da fundamentação, impedindo assim os arguidos de ficarem a saber os motivos pelos quais o Tribunal os condenou a penas de prisão efectiva. Disse ainda a Juíza Presidente que o acórdão estaria disponível às partes e aos seus Ilustres Mandatários a partir do próximo dia 8 deste mês. Ou seja, a partir de amanhã. O que não deixa de, no mínimo, ser caricato.

 

Esta atitude da Juíza Presidente determinou que o Dr. Ricardo Sá Fernandes, um dos Advogados de Carlos Cruz, requeresse para a acta a nulidade do acórdão, em virtude de aquando da leitura do mesmo, não ter sido lida a respectiva fundamentação, ainda que por meio de súmula. E, independentemente do estilo empregue pelo Dr. Ricardo Sá Fernandes na elaboração do requerimento que estava a ditar para a acta, como tal requerimento não agradou à Juíza Presidente, a mesma, de modo autoritário e prepotente, retirou-lhe a palavra, obrigando-o a requerer por escrito o que entendesse por conveniente, bem como o protesto que o Ilustre Causídico se preparava para lavrar.

 

É frequente em Portugal Juízes terem atitudes prepotentes e arrogantes para com os Advogados, quando estes se encontram no exercício do seu mandato. Eu próprio tenho conhecimento desse tipo de situações, só que não as posso falar delas aqui por força do sigilo profissional a que me encontro vinculado. Pelo que a atitude da Juíza Ana Peres para com o Dr. Ricardo Sá Fernandes não constitui novidade nenhuma para ninguém que seja Advogado e ande pelos Tribunais.

 

Não conheço pessoalmente o Dr. Ricardo Sá Fernandes. Cruzei-me uma única vez com ele no Palácio da Justiça de Lisboa, quando aí tive que me deslocar para uma audiência de julgamento nas Varas Cíveis de Lisboa. De resto, costumo vê-lo na televisão, sobretudo nos processos mediáticos em que o mesmo intervém como Advogado. E tenho admiração pelo Meu Ilustre Colega, pois demonstra ser um Advogado de fibra e de coragem, que dá o melhor de si nas causas que patrocina. Para além de ser uma pessoa com uma grande cultura jurídica, sobretudo no Direito e no Processo Penal. Pelo que, independentemente do estilo de linguagem empregue pelo Dr. Ricardo Sá Fernandes aquando da elaboração do requerimento que ditou para a acta, arguindo a nulidade do acórdão que condenou o seu constituinte, porque do mesmo não constava a respectiva fundamentação, e perante a absurda atitude da Juíza Presidente de lhe retirar a palavra, quero por esse motivo aqui expressar ao Meu Ilustre Colega a minha inteira e total solidariedade.

 

Se existe uma nulidade processual praticada por um Juiz, é dever do Advogado arguí-la, no estrito cumprimento do seu mandato. E o Juiz não pode mandar calar o Advogado, só porque o requerimento não agrada ao Juiz. E pelo que vi na televisão, o requerimento que o Dr. Ricardo Sá Fernandes estava a ditar para a acta, pese embora o mesmo não agradasse à Juíza Presidente, o mesmo foi elaborado na defesa dos direitos e interesses legítimos do seu constituinte, e não continha, a meu modesto olhar, linguagem ofensiva para com o Tribunal. Pelo que a atitude da Juíza Ana Peres para com o Dr. Ricardo Sá Fernandes é deplorável a todos os níveis.

 

Aceite pois, Meu Ilustre Colega, a minha inteira e total solidariedade para com V.Exa. No seu lugar, eu teria feito requerimento semelhante, quiçá com outro estilo de linguagem. Porém, não podemos permitir que o reino das trevas e do terror se instale na nossa Justiça. É essa a nossa obrigação enquanto Advogados.

publicado por novadireita às 10:42
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Sentença Casa Pia - Mais Batalhas à Vista

Na passada sexta-feira, dia 3 de Setembro, foi lida a sentença do Processo Casa Pia, com a condenação a penas de prisão efectiva dos pincipais arguidos, penas essas que variam entre os 18 anos de prisão, aplicados a Carlos Silvino, mais conhecido por Bibi, os 7 anos de prisão, aplicados a Carlos Cruz e Ferreira Dinis, os 6 anos e 8 meses de prisão, aplicados a Hugo Marçal, os 6 anos e 2 meses de prisão, aplicados a Jorge Ritto, e os 5 anos e 6 meses de prisão, aplicados a Manuel Abrantes, antigo Provedor da Casa Pia. A única arguida que foi absolvida foi Gertrudes Nunes, proprietária da casa de Elvas onde terão ocorrido alguns dos supostos abusos.

 

Como sempre acontece neste tipo de situações, as vítimas dizem que foi feita Justiça, e os arguidos clamam pela sua inocência, tendo anunciado pelos seus Advogados que vão recorrer da sentença que os condenou pela prática dos crimes pelos quais se encontravam pronunciados.

 

É uma verdade insofismável que desde há várias decadas existem abusos sexuais de crianças que estudam e estudaram na Casa Pia. E que efectivamente existem vítimas no processo que culminou com a leitura da sentença na passada sexta-feira. Vítimas essas que foram submetidas a actos de verdadeira tortura e violência, quer física, quer psicológica. Resta saber se as vítimas foram efectivamente abusadas pelos arguidos que foram condenados em sede de primeira instância ou não.

 

Considero a pedofilia e o abuso sexual de menores crimes horrendos que, uma vez efectivamente provados, os seus autores devem ser exemplarmente punidos com severas penas e/ou medidas de segurança, caso se verifiquem os respectivos pressupostos legais. Pelo que se se vier a provar que os arguidos efectivamente cometeram os crimes pela prática dos quais se encontravam pronunciados, devem os mesmos serem condenados, independentemente de serem figuras públicas ou não, pois não pode haver uma Justiça para ricos e outra Justiça para pobres.

 

Agora vem aí a fase dos recursos. Os arguidos que foram condenados vão recorrer do acordão condenatório para o Tribunal da Relação de Lisboa. O Ministério Público está a ponderar se vai recorrer da absolvição da arguida Gertrudes Nunes ou não. Carlos Cruz já se encontra a colocar partes do processo na Internet. Avizinham-se pois mais longas batalhas judiciais à vista, neste que é o processo mais longo e mais mediático da Justiça portuguesa.

publicado por novadireita às 10:20
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